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sexta-feira, 25 de março de 2011

Santana, a cidade dos buracos - Uma história de O Tolerante

Ontem por volta das sete da noite, na rua em que este que vos escreve, modesto cidadão reside, fui surpreendido por uma barulhada imensa, parecia um monte de cacareco pesado amassando a rua, pois bem, era um carro daqueles que comprime o asfalto e antes dele, um caminhão grande com uma mangueira saindo de sua traseira, ela estava sendo segurada por um homem que andava a pé, espalhando na superfície por onde andava o líquido de cheiro forte que saída do caminhão, era piche.

Olhando pela grade do portão, vi aquela cena sinistra, numa noite quente, piche se espalhando pelo chão da minha rua...


Moro em Santana sabe, cidade onde as ruas são esburacadas, o prefeito não liga, afinal, é uma fonte de dinheiro, sempre haverá um buraco para tapar e para fazer isso, tem que ter dinheiro, e se o prefeito não tem, consegue em algum lugar através de um projeto de pavimentação. Já me disseram que ele literalmente não liga e que numa entrevista disse até que não vê buraco em Santana.

Olha, vou te falar, ou ele precisa de óculos, ou precisa trocar de oftalmologista ou ainda o carro que ele anda flutua pela cidade, sempre achei que um dia a tecnologia dos Jetsons iria acontecer mas não sabia que já tinha chegado por aqui.

Santana é aconchegante, está se desenvolvendo, atraindo comércios que antes só tinham em Macapá, a capital, e agora está crescendo devagar, é uma cidade bonita, de gente trabalhadora, mas as ruas... tem buraco na fila, esperando na calçada a vez de cair na rua, por isso, de vez em quando aparece um João Buraco por aí com placa na mão, cobrando asfaltamento, cobrando cinquenta centavos pra cair na piscina em plena via nos dias de chuva.

Como estava noite, não via direito o resultado, afinal, estavam asfaltando a minha rua pessoal, e tudo o que eu queria era acreditar naquilo que meus olhos observavam atônitos. Com o espírito de São Tomé e calma, resolvi esperar e ver pela manhã.

Cedinho fui correndo pra frente de minha casa, quando olhei fiquei surpresa, as crateras estavam manchadas de preto, a rua ficou parecida com uma câmara de bicicleta velha mal remendada, serviço mal feito mesmo, serviço de porco.

Desapontei-me, a camada fina de asfalto não suprirá a necessidade real da rodagem na minha rua e tenho certeza, as primeiras chuvas levarão esse asfalto sonrisal embora, e as crateras virarão imensos abismos... na realidade não sei nem o que ainda tenho de esperar do Nogueira, talvez esperar o mandato dele acabar pra não mais padecer desse erro, o de esperar por um ausente.

Recebi esta história e a pessoa me pediu anonimato, pediu só pra eu publicar no blog, achei interessante e resolvi publicar, chama-lo-ei de "O Tolerante".

2 comentários:

Ivane disse...

O Tolerante, nome-adjetivo perfeito para um morador de Santana, que ainda acredita em mudanças.
Adorei o texto, não perdeu a seriedade, e ainda ganhou uma pitada de sadismo com ironia. Textos irônicos são ótimos, além de divertidos...
Bjo Hellen

Hellen disse...

O Tolerante agradece minha amiga.