Atualmente um fato vem causando enorme surpresa na polícia militar do Acre, um soldado foi nomeado para comandar uma seção vinculada diretamente ao Comando Geral de sua Polícia.
Por que a surpresa?
Simplesmente o que é corriqueiro no meio, e até em alguns estados previsto em legislação, é que chefe de seção deve ser um oficial. Soldados são militares de execução e não de comando, a não ser que este seja o mais antigo em um departamento onde somente atue os seus iguais. No militarismo é assim, hierarquia é um dos pilares que alicerçam esse regime.
Nomeação inédita já que o cargo que era de um oficial superior está agora ocupado por um soldado. O soldado Raiele Barbosa da Silva aclama estar “ (...) muito feliz com a nomeação. Sinto que estamos diante de um processo de meritocracia e uma nova postura no comando”.
"Meritocracia", palavra nova, talvez uma mistura de mérito com democracia, não se sabe, o que se tem certeza é que o soldado é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Acre, pré-requisito fundamental para ser o Chefe de Assessoria de Comunicação da Polícia Militar.
Nova instância de lucidez dentro do regime que permeia minha profissão, pois tenho certeza que essa nomeação não foi por vaidade ou qualquer outro motivo fútil, mas sim por qualificação, ou seja, o Comandante Geral da Polícia Militar do Acre, o senhor José dos Reis Anastácio, nomeou o soldado pela qualificação deste, visando aproveitar sua formação superior.
Claro que tal atitude iria causar desconforto pois não cabe um moderno a comandar um mais antigo, no entanto, em casos excepcionais isso talvez possa acontecer, como por exemplo, numa ocorrência onde o moderno tenha mais experiência e qualificação que o mais antigo para melhor conduzir a operação, ou ainda quando o comandante está impossibilitado de liderar e alguma atitude deve ser tomada. Presencia-se isso ainda nos cursos de formação onde os instrutores podem ser praças (soldado, cabo, sargento) ministrando instrução a oficiais. O comportamento do mais moderno seria então sugerir melhores soluções para o bom andamento da situação e conduzir sem exigir, sem ser autoritário.
Em todos esses casos, o bom senso e o respeito devem ser as peças-chave para não causar atos intolerantes e insubordinações.
Mesmo assim, há oficiais do Comando Geral que discordam da nomeação do soldado, sobre isso, ele retruca "O que sei é que estou à disposição do comando para trabalhar. Quando o comandante achar por bem me tirar, ele o fará. Até lá, sigo trabalhando”.

1 comentários:
Sem problema, o q vale é a competência para propiciar à sociedade um trabalho bem feito. Quem se acha competente procure mostar tal competência com trabalho...
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