Saudações

Este blog é para expressar meus pensamentos você também pode dizer o que pensa, basta entrar e ficar a vontade.

"O que é importante não é o homem que critica ou aquele que aponta como o bravo tropeçou..."
"Importante, em verdade, é o homem que está na arena, com a face coberta de poeira, suor e sangue; que luta com bravura, erra e, seguidamente, tenta atingir o alvo. É aquele que, no sucesso, melhor conhece o triunfo final dos grandes feitos e que, se fracassa, pelo menos falha com ousadia, de modo que o seu lugar jamais será entre as almas tímidas, que não conhecem nem a vitória, nem a derrota."
Theodore Roosevelt


domingo, 18 de outubro de 2009

CFC no Sírio 2009



Estas são fotos da participação do Curso de Formação de Cabos Bombeiros Militar no Sírio de Nazaré em Macapá, no Amapá.
As outras forças do Estado também estavam presentes como Guarda Municipal, Polícia Ambiental Militar, Civis da Organização do Evento. As fotos são da frente da Igreja de São José, no centro da cidade.

Fé?


No último dia 11, ocorreu em várias capitais brasileiras a procissão em prol da Nossa Senhora de Nazaré.
Em Macapá, o Sírio se deu desde as primeiras horas da manhã, mais precisamente às 06 h.
As ruas em frente à Igreja Nossa Senhora de Fátima, ponto de partida da Santa até a Igreja de São José, estavam amarrotadas de fiéis católicos prontos a assistirem a missa inicial e a devotarem seus sacrifícios e oferendas de agradecimento pelas bênçãos alcançadas.
Pessoas carregavam réplicas de suas bênçãos acima das cabeças, partes de membros, velas enormes, casas em miniatura, crianças vestidas de anjo, sinais que lembrem o pedido e clamor de quem necessitava de cura, uma casa para morar, um filho, um emprego.
Um ponto marcante dessa cerimônia religiosa é a corda, lá muitas pessoas se agarram e prosseguem na caminhada descalças, sofrendo calor, falta de ar, desconforto, dores, enfim, suportando até o limiar de seus limites como prova de agradecimento pelas graças obtidas.
O Corpo de Bombeiros estava lá com guarnições preparadas para atender qualquer eventualidade. E posso afirmar, as ocorrências foram muitas.
Faz-se necessário citar que ao longo do percurso, haviam postos de atendimento confeccionados em barracas/toldos que possuíam um médico, enfermeiros e técnicos de enfermagem prontos para realizar procedimentos básicos, inclusive ministrar medicamentos. Meus companheiros bombeiros e eu cuidamos de atender as ocorrências no meião do sufoco, no meio da multidão, com bolsas de resgate e macas dobráveis. Na maioria dos casos, fazíamos o transporte daquelas pessoas pelo meio do mar de gente até os postos, enquanto a maré humana corria no curso de forma agitada. Foi uma dificuldade, mas somente nós podíamos fazer. Contamos ainda com a ajuda de alguns fiéis anônimos que sinalizavam e abriam caminho para que os trios de socorristas tivessem acesso mais rápido para fora da procissão. Nossa ambulância não parou.
Para muitos católicos, a festa não teve o sentido e o desfecho agradável que queriam.
Foi um sufoco!
A fé das pessoas é de admirar mas não se pode confundir com irresponsabilidade ou até mesmo insanidade. Senhoras de idade devem acompanhar esse festejo com mais cautela, às sombras das árvores, sempre acompanhadas de parentes, as crianças também, devem estar com roupas leves, sempre hidratadas com água ou suco, longe do tumulto e do calor da procissão.
Grande parte das ocorrências eram crianças perdidas de seus pais, desmaios e ataques epiléticos, de crianças, adolescentes e pessoas de idade avançada. Não dá pra conceber que nessa festa da fé possam ter pessoas que levadas por um excesso de sentimento indefinível, empurrem outros fiéis contra o chão, ignorando o fato que podem se machucar porque serão pisoteados, por mães e pais vestirem seus bebês de colo de anjo, enquanto estes choram e agonizam por conta do calor, por mulheres grávidas participarem da procissão de forma irresponsável andando no percurso no meio dos demais, sem se preocupar com um corredor de escape em caso de precisar fugir daquela multidão.
Se a meta é chegar até o final, cantando e rezando, agradecendo, por quê empurrar tanto, por quê dar cotoveladas, por quê querer chegar primeiro se todos devem chegar?
Nós, bombeiros vamos sempre estar a postos para ajudar mas se deve repensar no que de fato vale a pena se submeter para agradecer uma bênção, até que ponto se deve criar uma condição insegura para mim ou para minha família.
Tenho certeza que, se a Santa tivesse vida, não se agradaria de ver essas cenas na sua procissão.


O controle emocional nas Ocorrências

Em um dos serviços realizados na ambulância, vivenciei a excelência de um fator importante nos atendimentos emergenciais: o controle emocional.
Como sempre trabalhei na área de combate a incêndio e de busca e salvamento, o exercício da emergência médica não ocorria com frequência, neste período, o contato está bem maior, relembro e aprendo a cada ocorrência.
Em um acidente de trânsito, observei um companheiro meu, ele é bastante calejado na área e bem ágil e sabedor das técnicas e protocolos necessários ao atendimento, orientava-me serenamente dos procedimentos que eu tinha de tomar nos momentos em que ele identificava que eu estava afoita e nervosa, foi um aprendizado.
O controle emocional é realmente bastante decisivo nas ocorrências de grande vulto, a tranquilidade, a calma, são fatores que auxiliam nas tomadas de decisão mais viáveis para o desenrolar do atendimento, ajuda a pensar mais racionalmente. No entanto, já no quartel, pensei em tamanha serenidade, em momento algum houve a elevação do seu tom de voz, mesmo quando a vítima, um senhor de 61 anos reclamava suas dores, não houve nenhuma careta, nem arrogância, meu amigo foi bastante educado, me explicava pausadamente sobre sobre todo o exame secundário realizado no interior da ambulância, sem deixar de explicar também ao paciente o porquê desses procedimentos.
Ao passo que aplaudi sua atuação pensei, nossa, quanta calma! Será que isso pode caminhar para a desumanização do atendimento?
Não sei.
Imagino que possa existir uma linha tênue entre o que é calma para não se deixar abalar pela pressão ou pelos gritos da população ou familiares de uma vítima em um resgate e o que é indiferença em relação ao paciente. Por isso, saber diferenciar estes dois sentimentos e não deixar que a calma excessiva seja sinal de banalização do atendimento é importante para realizar a missão a contento.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Desabafo

Meus amigos leitores, é com pesar que externo minha tristeza e indignação em relação ao ocorrido no último dia 03 de outubro, em Luziânia, no Estado de Goiás onde três rapazes foram torturados por três cabos da Força Nacional de Segurança Pública, e o que mais me espanta é que todos eles são bombeiros militares.
É aterrador! Estou profundamente envergonhada porque como bombeira militar e também integrante da Força Nacional não consigo conceber esse tipo de comportamento, não sei o que poderia justificar tal ato apelativo em busca de uma confissão...
Sinceramente falando, nunca senti tanta vergonha, não somos bandidos. Não podemos agir como bandidos, somos um dos braços da lei e da justiça, meu Deus...
Como bombeiros salvamos vidas e como integrantes da Força auxiliamos outros irmãos de farda, os policiais militares, no cumprimento do dever onde a polícia local esteja necessitando de apoio.
Como Bombeiros da Força Nacional ainda temos a responsabilidade de dar o exemplo àqueles que, por razões diversas, desvirtuam a profissão policial, desviam as verdadeiras finalidades da garantia de integridade do cidadão!
Sinto raiva, pena, vergonha, é um amalgama de sentimentos que nem eu mesma consigo explicar!
E sobre o que eles pensam, como puderam cortar o pulso de um dos meninos, ou enfiar um pau no ânus de outro?!
Como conseguiram?
Não sei. Só sei que minha profissão é integra, eu a levo muito a sério, tanto sendo bombeira militar como membro da Força Nacional. Importo-me com as pessoas, sei que em um momento de desespero somente terão a mim, eu sei da minha importância para elas, e guardo com muito carinho todos os elogios e reconhecimentos que recebi.
Como eles puderam esquecer as suas glórias? Jogar fora sua credibilidade, banalizar assim a prática de salvar vidas por essa atitude truculenta?
Eles já foram expulsos da Força, é só uma questão de tempo para perderem o próprio emprego em cada um dos seus Estados, vão deixar de ser bombeiros. Será que não pensaram nisso?
Senhores leitores, faço aqui um pedido: não nos julguem ou nos generalizem pelos atos de uns poucos!
Saibam que ainda me custa a acreditar... não é possível. Ainda temos o nosso valor e faço um apelo também a todo militar que ler essa postagem: cumpramos com o nosso dever de forma honesta, nada dignifica tanto quanto o sorriso de alegria, um olhar de alívio ou ainda as lágrimas de um indivíduo quando vem lhe agradecer por ter-lhe salvo a vida.
Não quebrem essa relação de confiança, mantenham-na sempre viva, e terão aquela sensação de dever cumprido e a tão sonhada realização.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O prazer irresponsável e o drama do piloto de Suriname em terras amapaenses

O Evento do Jeep Clube Macapá, uma organização amapaense de adoradores de jipes mobilizou jipeiros de alguns lugares do Brasil, vieram do nosso vizinho, o Pará e até do Suriname. Foram dois dias de muita adrenalina no pequeno circuito com duas pistas, uma externa e uma interna que eram percorridas pelas duplas de competidores e ganhava quem corria na pista completa em menos tempo.
Muita poeira e manobras perigosas faziam parte do repertório.
O Corpo de Bombeiros do Amapá estava lá, presente para dar suporte aos corredores em caso de acidente, que por sinal, houve bastante.
Quero elucidar o quanto os esportes radicais de forma geral cegam quem faz parte dele, não somente o público que assiste, mas principalmente quem está diretamente envolvido no evento. A especificidade desse tipo de esporte hipinotiza, encanta, e causa nos seus participantes a ilusão de imponência e de onipotência. É a coragem exacerbada que retira deles o senso de segurança e causa um ambiente propício a acidentes.
No primeiro dia de corrida muitas capotadas e rodopios, o público vibrava enlouquecido com aquilo, e o competidor, talvez anestesiado pela adrenalina, ficava mais insano ainda, pulando em cima do carro ainda de rodas para cima, com o capacete nas mãos, comemorando que da queda ele estava aparentemente bem enquanto que seu carro quebrava aos poucos.
Corríamos várias e várias vezes com extintor nas mãos, pé de cabra e bolsa de resgate para o meio da pista em prol dos condutores daqueles veículos, um estava com o combustível escorrendo por entre seu corpo enquanto sorria feliz, com o carro ligado após uma capotagem.
É muito gostar de brincar com a vida! Não entendo direito esse prazer.
No último dia de competição, já na escala extra de meus amigos, um dos competidores do Suriname teve sua vida quase perdida por um fio.
A emoção que sentia foi tão forte que ele infartou em plena pista, desfaleceu enquanto corria, seu carro perdeu a direção e tombou no barranco. Nesse instante meus amigos entraram na pista com o oxigênio, prancha e a bolsa de resgate, juntamente com os bombeiros da 9ª CIA. O vidro foi quebrado porque notou-se a inconciência do motorista, o soldado o retirou dali e o primeiro atendimento foi feito ainda em terra batida, logo depois o médico do SAMU assumiu a ocorrência junto com o médico do evento e do próprio corredor que veio daquele país para acompanhá-lo.
Foi dramático, iniciou-se a técnica de RCP e ele não retornava, meus companheiros de curso de Cabo que estavam na ambulância somente deram suporte aos médicos com o que foi preciso. Foi aplicada adrenalina injetável direto no coração, depois foram dados dois choques com o DEA (o desfibrilador), e foi então que o piloto de Suriname retornou, era um senhor já maduro, aparentando uns 50 e tantos anos.
Seu choro era ouvido ao longe, e sua experiência de quase morte mostrou que atividades desse tipo deve ter mais cautela na seleção de seus competidores, sem deixar de lado a consciência dos procedimentos de segurança necessários para que uma corrida não se torne fatal aos seus frequentadores.

Sentimentos de Bombeiro Socorrista

Entre várias vivências que se pode ter dentro desta profissão trabalhosa mas estupenda são dois sentimentos importantes que promovem o crescimento interior de qualquer indivíduo, um deles é o sentimento de comoção que pode surgir em relação à vítima resgatada, ajudada, salva, o outro é a reflexão que se faz em torno das atitudes e do modo como se enxerga a vida, dando nova cocepção a respeito da simplicidade de se viver com sabedoria e aproveitamento todos os momentos que a existência lhe proporciona.
Normalmente as vítimas que marcam na mente de um bombeiro são protagonistas das ocorrências mais difíceis, daquelas trabalhosas que podem inclusive ser provas cabais da bravura e da atuação que equipara homens comuns
a seres celestiais com asas enviados por Deus naquele momento de desespero para salvar.
Entre todas as áreas atuantes da atividade bombeirística, existe uma onde se tem maior possibilidade de sentir essas emoções: é a emergência médica.
É no atendimento pré-hospitalar que se estreitam os laços de solidariedade e amor ao próximo no seu mais alto grau, a profissão te delega isso e o contato com a dor alheia lhe faz pensar na própria existência e no propósito da vida.
Faz com que se valorize mais o que se tem embora não seja muito, faz pensar nas pessoas que se conhece e convive, no modo como se relaciona com elas, como influencia suas vidas e como contribui para a felicidade delas.
Não se trata de desmerecer o combate a incêndio ou a busca e salvamento, mas pelo fato de em nosso Estado do Amapá, os acidentes de trânsito ser a prima causa de mortes, os bombeiros socorristas estão sempre sendo imortalizados pela população que um dia precisou dos seus préstimos.
Além dessa reflexão interna que se faz cada vez que uma ocorrência desperta esse julgamento, outro sentimento inerente a essa situação é emoção de tomar as dores daquele a quem se ajuda, ou de se imaginar ali, naquela condição, a empatia tem maior ênfase e naturalmente, o bombeiro atua naquela ocorrência como se fosse um parente seu, trata o paciente ou vítima como gostaria que fosse tratado, toma os procedimentos da melhor forma possível, com cuidado.
Isso engrandece o serviço, o torna uma excelência?
Sim embora a qualidade deste não deva depender desses sentimentos.
Se as ocorrências, de alguma forma, despertam em grande parte dos bombeiros socorristas esses sentimentos de comoção pelas vítimas e de julgamento interior das atitudes para com o próximo, por outro lado, dependendo da prioridade da ocorrência, podem também causar um distúrbio emocional no bombeiro, originando problemas na atuação.
Já houve casos onde bombeiros "travaram" por conta de gritos de dor, por se deixar envolver pelo desespero das vítimas, outros tiveram crises de choro e ficaram incapazes de prosseguir no resgate, ficaram em choque. São descontroles que não podem acontecer pois comprometem o pensar e o agir com coerência e racionalidade, fatores esses imprescindíveis para um bom desfecho da situação difícil pois existem outras vidas que dependem dele naquela hora.
O bombeiro precisa estar calmo, sereno para atuar.
Por isso, os sentimentos em relação às vítimas podem trazer eficiência quando são dosados e controlados. Quando não se pode evitá-los, o ideal é tentar administrá-los dentro de si, liberando seus efeitos em si próprio em horas oportunas, de preferência, quando o atendimento está encerrado e o paciente entregue nos Hospitais de Emergência.
Não coloquemos uma pedra de gelo em nossos corações no momento do atuar mas o façamos com sabedoria e controle das nossas emoções.